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terça-feira, 18 de março de 2014

O encontro de presbíteros e diáconos “deve nos reanimar para a missão”, diz dom Geraldo

O arcebispo de Mariana, dom Geraldo Lyrio Rocha, abriu o 24º Encontro Arquidiocesano de Presbíteros e Diáconos, na tarde desta segunda-feira, 17, no Retino das Rosas, em Cachoeira do Campo, lembrando que a reunião é momento de confraternização e de reflexão. “Este encontro é momento de aprofundamento em vista do nosso ministério. É momento de partilha, de oração e nos reanima para a missão, que deve estar sempre em nosso horizonte”, disse.

O vigário geral, Mons. Celso Murilo Sousa Reis, presidiu a missa de abertura do encontro que “deve ser marcado pela alteridade e pela reciprocidade”. “Queremos que seja um encontro humanizante, que deixe marcas, que nos faça crescer. Para deixar marcas, para ser renovador, o encontro deve ser vivido na alteridade e na reciprocidade. Precisamos acreditar que cada um, que se faz presente em nossa vida, nos faz crescer”, disse.



Segundo o vigário geral, o encontro dos padres e diáconos deve ser momento privilegiado da prática da misericórdia. “Nossa família presbiteral e diaconal também é lugar de fazer a experiência da misericórdia; Somos ministros da misericórdia de Deus para os outros” acentuou.

Coordenado pelo representante dos presbíteros, padre Walter Jorge Pinto, o encontro já conta com a presença de 160 padres e diáconos. Os primeiros trabalhos constaram da apresentação de uma memória do encontro anterior e de informações sobre o Seminário São José, a Faculdade Arquidiocesana de Mariana (FAM), a Editora Dom Viçoso, os relatórios da arquidiocese e das obras sociais arquidiocesanas.

Foram apresentados, ainda, a proposta para missão junto aos afastados em resposta ao Projeto Arquidiocesano de Evangelização (PAE) e o plano de comunicação, em discussão na Arquidiocese.

Vaticano II e os presbíteros



O tema do encontro –Vaticano II e os presbíteros e diáconos do Brasil: Testemunhas de fé, esperança e caridade – começa a ser debatido nesta terça-feira, 18, com assessoria do teólogo jesuíta, padre Francisco Taborda. Os debates serão precedidos pela missa, às 7h, presidida por dom Geraldo. 

O final da tarde está reservado para esporte e, à noite, os padres e diáconos se reúnem em grupo para aprofundamento de sua vida ministerial.

Durante o encontro será eleito o novo representante arquidiocesano de presbíteros. O atual representante, padre Walter, comunicou sua renúncia por exercer também a função de vigário episcopal da Região Leste. “Acho que, por sua própria natureza, as duas funções são incompatíveis”, justificou. Uma primeira votação foi feita no final da tarde de hoje. Os resultados serão apresentados amanhã.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Dom Geraldo completa 72 anos



A Arquidiocese de Mariana se alegra em celebrar hoje, dia 14 de março, os 72 anos de vida do Arcebispo Dom Geraldo Lyrio Rocha, pastor da Igreja particular de Mariana. A ele nossas orações e votos de muitos anos de vida. Parabéns!

quinta-feira, 13 de março de 2014

Evangelho do Dia

Mt 7, 7-12 - 
Jesus disse aos seus discípulos: “Pedi e vos será dado! Procurai e achareis! Batei e a porta vos será aberta! Pois todo aquele que pede recebe; quem procura encontra; e a quem bate a porta será aberta. Quem de vós dá ao filho uma pedra, quando ele pede um pão? Ou lhe dá uma cobra, quando ele pede um peixe? Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai que está nos céus dará coisas boas aos que lhe pedirem! Tudo quanto quereis que os outros vos façam, fazei também a eles. Nisto consiste a Lei e os Profetas”

quarta-feira, 12 de março de 2014

Gesto de partilha, Solidariedade e compromisso Missionário.


Coleta em favor das vítimas das enchentes em Porto Velho

Aos estimados presbíteros e diáconos e ao querido Povo de Deus da Arquidiocese de Mariana


Conforme tem sido amplamente noticiado pelos meios de comunicação, o estado de Rondônia é um dos que mais sofre as consequências da cheia recorde do rio Madeira, a qual criou uma situação de extrema penúria para a população, com a falta de água potável, alimentos, remédios e outros artigos de primeira necessidade.

Sensibilizado com a situação e tendo ouvido o Conselho Episcopal, o Sr. Arcebispo Dom Geraldo Lyrio Rocha decidiu dirigir um apelo às paróquias da Arquidiocese de Mariana no sentido de realizarem uma coleta em favor da Arquidiocese de Porto Velho, para ajudar especialmente as comunidades assistidas pelo Pe. João Paulo da Silva, missionário de nossa Igreja particular que atua naquela área.

A referida coleta seja feita nas celebrações do terceiro domingo da Quaresma, nos dias 22 e 23 de março de 2014, e o valor arrecadado, imediatamente encaminhado à Cúria Metropolitana, através da conta: Arquidiocese de Mariana-coletas. Banco do Brasil. N. 16.338-4. Agência 2279-9. Não se deve esperar a prestação de contas mensal para realizar o repasse, pois se trata de uma situação de emergência.


Pede-se aos padres, diáconos e lideranças leigas que divulguem o mais possível a realização dessa coleta nas próximas celebrações e nos vários meios de comunicação social, mobilizando a todos para esse gesto de partilha, solidariedade e compromisso missionário.

Antecipamos os agradecimentos pelo apoio a essa iniciativa, pedindo a Deus que recompense a generosidade de todos os doadores.

Mariana, 12 de março de 2014

Mons. Celso Murilo Sousa Reis

terça-feira, 11 de março de 2014

Coragem, Papa Francisco, coragem!

Mensagem do Arcebispo de São Paulo, Cardeal Odilo P. Scherer, por ocasião do primeiro ano de pontificado do Papa Francisco.

Completa-se o primeiro ano de Pontificado do papa Francisco. A fumaça branca da Capela Sistina, na noite chuvosa e fria de 13 de março de 2013, preparou a multidão ansiosa da praça de São Pedro uma bela surpresa: o novo Bispo de Roma e Sucessor do apóstolo Pedro, colocado no centro da Igreja Católica, era um cardeal que vinha “quase do fim do mundo”! Jorge Mário Bergoglio, arcebispo de Buenos Aires, que escolheu para si o nome de Francisco.
Passados os primeiros momentos de encantamento, o papa Francisco começou logo a mostrar seu estilo, seu jeito latino-americano, seu desejo de servir a Igreja Católica e a humanidade de corpo e alma. Tantos detalhes chamaram a atenção, como a moradia na Casa Santa Marta, em vez do palácio apostólico; a dispensa de muitos protocolos; seu jeito de pastor de almas; a forma direta e simples de falar…
Mas tudo isso, embora significativo, ainda não diz tudo sobre a novidade do primeiro papa não europeu, depois de muitos séculos, primeiro latino-americano, primeiro papa jesuíta, com jeito de franciscano… Francisco tem clareza sobre sua missão mais urgente, na condição de Sucessor de Pedro: confirmar os irmãos na fé, reanimá-los, dar-lhes novamente certeza e segurança interior, superar certo desalento e baixa auto-estima na Igreja, restituir ao povo católico a alegria do Evangelho, a identificação com a própria Igreja e o senso de pertença a ela.
Sabe que sua missão é resgatar a credibilidade da Igreja, ferida por muitos escândalos decorrentes de pecados e fraquezas daqueles que deveriam ser reconhecidos como testemunhas fidedignas do Evangelho da vida e da esperança diante do mundo… Francisco sabe que esta credibilidade só é recuperada com a retidão de intenções e atitudes, amor à verdade e sincera humildade. E ele convidou todos os membros da Igreja a fazerem isso, empreendendo um verdadeiro caminho de conversão a Cristo e seu Evangelho.
Muitos, talvez, esperavam imediatas e até espetaculares reformas na Cúria Romana e nos organismos de governo, que ajudam o Papa em sua missão universal. Francisco começou pedindo reformas nas atitudes e nas disposições de todos os filhos da Igreja; as reformas administrativas da Santa Sé chegam aos poucos e as da Cúria romana ainda devem chegar. Ninguém tenha a ilusão de que, na Igreja, tudo depende só da Cúria romana; Francisco tem falado mais vezes da necessária participação de todos e que cada membro da Igreja faça bem a sua parte, em vista da saúde do corpo inteiro.
Francisco quer uma Igreja que não seja auto-referencial, nem fechada sobre si mesma, mas discípula de Cristo e servidora do Evangelho para o mundo. Na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (“A Alegria do Evangelho”), ele apresentou as prioridades da missão evangelizadora no mundo atual: católicos felizes e agradecidos pela fé, percebida como dom precioso a ser compartilhado generosamente; uma Igreja que se faz missionária e se coloca em estado permanente de missão; a conversão constante ao autêntico espírito do Evangelho e a superação do “espírito mundano”, constante tentação para os cristãos e a Igreja; a saída para as periferias humanas e sociais e a solidariedade concreta em relação aos pobres.
Há muito para se fazer! Coragem, Papa Francisco, coragem! Deus o ilumine e guarde! E nós, além da admiração pelo Papa vindo da América Latina, também o acompanhemos neste esforço. Coragem, povo de Deus, coragem!

Card. Odilo P. Scherer
Arcebispo de São Paulo

segunda-feira, 10 de março de 2014

Pe. André recebe uma nova missão

Pe. André 

No dia 28 de Março, Pe. André iniciará uma nova caminhada pastoral na Paróquia São Gonçalo em Acaiaca. Esta  é uma oportunidade para agradecermos por todo este tempo, desde seminarista, que permaneceu conosco nesta paróquia de São João Batista. Desejamos-lhe muito êxodo na nova missão.

Atenção Coordenadores de pastoral e comunidades


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sábado, 8 de março de 2014

Nota da CNBB pelo Dia Internacional da Mulher

    

1. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, saúda todas as mulheres por ocasião do Dia Internacional da Mulher – 8 de março. Agradecemos as mulheres que por sua vocação e missão lutam pela superação de todo tipo de violência e possibilitam a construção de uma cultura de paz no ambiente familiar e social.

2. Reconhecemos a enriquecedora atuação das mulheres na sociedade e, especialmente, na vida e missão da Igreja. Partilham responsabilidades pastorais com um estilo e dinâmicas próprias, expressas na solicitude e no cuidado para com as pessoas nos diferentes serviços e ministérios. Contudo, sabemos que ainda é necessário ampliar os espaços para uma presença feminina mais incisiva na Igreja e em outros lugares onde se tomam decisões importantes (Cf. EG 103).

3. No ano em que a CNBB propõe como tema da Campanha da Fraternidade o Tráfico Humano, merece a nossa atenção o fato de muitas mulheres serem vítimas deste crime, especialmente no que tange a exploração sexual. A invisibilidade desta prática abominável se acentua pelo fato das vítimas serem de famílias pobres, o que reforça a constatação da vulnerabilidade social da mulher no Brasil. Diante desta realidade, a Igreja é chamada a ter uma atitude de escuta e acolhida, à semelhança da atitude de Jesus diante dos apelos da mulher cananeia (Cf. Mt 15,28).

4. Preocupa-nos o ambiente ainda adverso para as mulheres na sociedade. É alarmante o número de mulheres mortas de forma violenta, alcançando neste momento histórico o mais alto índice. São vítimas de agressões, principalmente por causa de conflitos de gênero.

5. Não podemos esquecer o crescente número de mulheres que são arrimo de família. Quase 40% dos lares brasileiros têm a mulher como referência. Elas, na maioria das vezes, foram abandonadas pelos maridos ficando com filhos e familiares doentes ou idosos com a responsabilidade de cuidá-los, recebendo, um salário inferior ao dos homens e vivendo em condições insalubres.

6. Desejamos que, no cuidado da vida e no exercício da caridade e da cidadania, as mulheres continuem sendo testemunho de perseverança pelos caminhos que conduzem à dignidade, à liberdade, à justiça e à paz.

7. Nossa Senhora Aparecida, Mãe de Jesus e nossa, modelo de mulher, esposa e trabalhadora, ilumine e proteja às mulheres de nosso país.

Brasília, 08 de março de 2014

Raymundo Damasceno Assis
Cardeal Arcebispo de Aparecida – SP
Presidente da CNBB

Dom José Belisário da Silva
Arcebispo de São Luís - MA
Vice-presidente da CNBB


Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo-Auxiliar de Brasília – DF
Secretário-Geral da CNBB


quinta-feira, 6 de março de 2014

Cristão Consciente e fiel

 “Tornar-se um dizimista é um ato revestido de consequências que vai alcançar toda a vida do cristão ao assumir essa opção de participação comunitária.

É a libertação experimentada pelo dizimista em relação a toda ganância e valorização excessiva do dinheiro. Afinal não é fácil para ninguém vencer o apego aos bens, o preconceito do mundo e “abrir mão” de uma parte considerável dos seus rendimentos.

É adquirir a clara consciência de que todos os bens tem sua origem em Deus e que o seu bom uso promove uma revolução nas leis aritméticas: o dizimista percebe claramente que realiza agora mais com noventa do que antes conseguia com cem.

A clareza nítida de que o Dízimo não é uma moeda de troca: dar alguma coisa para receber outra em dobro. Não.

Ser dizimista é ser alguém que adquire consciência de seu papel na comunidade de irmãos: É responsável, é consciente, é consequente, nada desperdiça, faz bom uso dos bens materiais e espirituais, sente-se parte de um corpo e coopera com o corpo todo, sabendo que o bem dos outros é o seu próprio bem. Para ele, prosperar corresponde a avançar no caminho da fé e não acumular patrimônio e saldo bancário. Compreende que o real sentido da existência experimenta-se na comunhão. Comunhão com Deus, consigo próprio, com a família e entre os irmãos na comunidade onde pode partilhar-se e tomar parte, integrado, feliz, bem-aventurado!”

quarta-feira, 5 de março de 2014

Diante do tráfico de pessoas ‘não é possível ficar impassível’, diz Papa Francisco


A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nesta Quarta-feira de Cinzas (5), a mensagem do Papa Francisco aos brasileiros para a abertura da Campanha da Fraternidade. Em suas palavras, o Santo Padre destacou o empenho da Igreja Católica na mobilização dos fiéis contra a “chaga social” que representa o tráfico humano.

“Visando mobilizar os cristãos e pessoas de boa vontade da sociedade brasileira para uma chaga social qual é o tráfico de seres humanos, os nossos irmãos bispos do Brasil lhes propõem este ano o tema ‘Fraternidade e Tráfico Humano’”, enfatizou.

“Não é possível ficar impassível, sabendo que existem seres humanos tratados como mercadoria!”, completa o Papa.

Queridos brasileiros,

Sempre lembrado do coração grande e da acolhida calorosa com que me estenderam os braços na visita de fins de julho passado, peço agora licença para ser companheiro em seu caminho quaresmal, que se inicia no dia 5 de março, falando-lhes da Campanha da Fraternidade que lhes recorda a vitória da Páscoa: «É para a liberdade que Cristo nos libertou» (Gal 5,1). Com a sua Paixão, Morte e Ressurreição, Jesus Cristo libertou a humanidade das amarras da morte e do pecado. Durante os próximos quarenta dias, procuraremos conscientizar-nos mais e mais da misericórdia infinita que Deus usou para conosco e logo nos pediu para fazê-la transbordar para os outros, sobretudo aqueles que mais sofrem: «Estás livre! Vai e ajuda os teus irmãos a serem livres!». Neste sentido, visando mobilizar os cristãos e pessoas de boa vontade da sociedade brasileira para uma chaga social qual é o tráfico de seres humanos, os nossos irmãos bispos do Brasil lhes propõem este ano o tema “Fraternidade e Tráfico Humano”.

Não é possível ficar impassível, sabendo que existem seres humanos tratados como mercadoria! Pense-se em adoções de criança para remoção de órgãos, em mulheres enganadas e obrigadas a prostituir-se, em trabalhadores explorados, sem direitos nem voz, etc. Isso é tráfico humano! «A este nível, há necessidade de um profundo exame de consciência: de fato, quantas vezes toleramos que um ser humano seja considerado como um objeto, exposto para vender um produto ou para satisfazer desejos imorais? A pessoa humana não se deveria vender e comprar como uma mercadoria. Quem a usa e explora, mesmo indiretamente, torna-se cúmplice desta prepotência» (Discurso aos novos Embaixadores, 12/XII/2013). Se, depois, descemos ao nível familiar e entramos em casa, quantas vezes aí reina a prepotência! Pais que escravizam os filhos, filhos que escravizam os pais; esposos que, esquecidos de seu chamado para o dom, se exploram como se fossem um produto descartável, que se usa e se joga fora; idosos sem lugar, crianças e adolescentes sem voz.

Quantos ataques aos valores basilares do tecido familiar e da própria convivência social! Sim, há necessidade de um profundo exame de consciência. Como se pode anunciar a alegria da Páscoa, sem se solidarizar com aqueles cuja liberdade aqui na terra é negada?

Queridos brasileiros, tenhamos a certeza: Eu só ofendo a dignidade humana do outro, porque antes vendi a minha. A troco de quê? De poder, de fama, de bens materiais… E isso – pasmem! – a troco da minha dignidade de filho e filha de Deus, resgatada a preço do sangue de Cristo na Cruz e garantida pelo Espírito Santo que clama dentro de nós: «Abbá, Pai!» (cf. Gal 4,6).

A dignidade humana é igual em todo o ser humano: quando piso-a no outro, estou pisando a minha. Foi para a liberdade que Cristo nos libertou! No ano passado, quando estive junto de vocês afirmei que o povo brasileiro dava uma grande lição de solidariedade; certo disso, faço votos de que os cristãos e as pessoas de boa vontade possam comprometer-se para que mais nenhum homem ou mulher, jovem ou criança, seja vítima do tráfico humano! E a base mais eficaz para restabelecer a dignidade humana é anunciar o Evangelho de Cristo nos campos e nas cidades, pois Jesus quer derramar por todo o lado vida em abundância (cf. Evangelii gaudium, 75).

Com estes auspícios, invoco a proteção do Altíssimo sobre todos os brasileiros, para que a vida nova em Cristo lhes alcance, na mais perfeita liberdade dos filhos de Deus (cf. Rm 8,21), despertando em cada coração sentimentos de ternura e compaixão por seu irmão e irmã necessitados de liberdade, enquanto de bom grado lhes envio uma propiciadora Bênção Apostólica.

Vaticano, 25 de fevereiro de 2014.


Quarta-feira de Cinzas - Início da Quaresma

Dia de Jejum e abstinência de carne

Já tivemos as celebrações hoje nas seguintes comunidades:


07h – Igreja Nossa Senhora do Rosário – Viúva
07h – Santuário São João Batista
09h30 – Igreja São José

Estaremos unidos ainda hoje:

16:00 - Boa Vista
19h30 – Santuário São João Batista
19h30 – Igreja do Rosário de Cocais
19h30 – Igreja Nossa S. Perpétuo Socorro – Leão XIII

Venha participar conosco. Convide os seus vizinhos, aguardamos por vocês.


Quarta-Feira de Cinzas: As cinzas do carnaval e as cinzas da Igreja?

Receber as Cinzas no início da Quaresma não é apagar os pecados e abusos cometidos na festa do Carnaval. Antes, deve ser um compromisso de vivência cristã todos os dias de nossa vida.

A quarta-feira de cinzas é o fim do carnaval e o começo da Quaresma. Uns rasgam as fantasias. Outros “rasgam o coração”. Se acaso havia relação entre carnaval e cinzas, (pecado e arrependimento), hoje não mais. Uma coisa sucede à outra no calendário por razões históricas. Não há interdependência espiritual. Sempre foi errado pensar que receber cinzas apagaria os pecados e abusos carnais da folia. A religião não é “conta bancária”: créditos e débitos. Findo o carnaval o débito seria bem alto e o rito das cinzas uma espécie de “acerto de contas” com Deus. Talvez haja sim quem aproveite os estertores do carnaval se esbaldando até a quarta-feira e misture as cinzas dos bailes e desfiles com as da Igreja. Seria esse um gesto de sincera conversão ou apenas crendice inútil? Nossa maior desgraça é uma só: afastar-se de Deus e viver de modo incoerente o seu amor. Portanto, nenhum ritual exterior purificará alguém dos gozos e excessos dos dias em que “tudo parecia permitido”.

A imposição das cinzas propõe ao fiel um caminho de conversão interior: o desejo de seguir o Cristo padecente, crucificado e ressuscitado, praticando as virtudes da Quaresma. Tempo que intensifica o empenho constante da conversão cristã. É útil lembrar: na Bíblia converter-se é fazer uma reviravolta completa nas idéias, atitudes, costumes e convivência social. Abandonando interesses egoístas e materiais como critérios de relacionamento com Deus e os outros. A fé cristã – no particular e no social – é busca contínua da verdade, justiça, fraternidade e não um tipo de “quebra-galho” dos problemas, doenças, negócios e angústias. Daí a coerência entre fé e vida. Oração e conduta não podem se contradizer. Pedidos, desejos e propósitos proferidos nos ritos religiosos e em devoções pessoais ligam a doutrina, as convicções da fé e a ética a todas as áreas das relações humanas. Se não houver sintonia entre o que se reza e o que se vive, não haverá conversão nenhuma. Seja lá o rito que se fizer!

As cinzas simbolizam a fragilidade humana e a desgraça que o pecado nos traz com o egoísmo, a ambição, a insensibilidade. Ao recebê-las reconhecemos o que somos. Dependentes do Senhor da vida até para nos amarmos uns aos outros. O homem não tem a explicação de si mesmo e do universo. Em seu anseio mais profundo precisa da fé em Deus. Por isso os profetas atribuíam os males do povo à sua infidelidade com Deus. Diziam que era preciso “rasgar o coração e não as vestes”. O costume de rasgar em público uma parte da roupa era um sinal de penitência, arrependimento e dor. Ao lado desse havia outros ritos exteriores: o jejum, a cinza, a esmola. A Bíblia ensina: não bastam os ritos! É imperioso criar novas relações sociais de justiça, direitos, conduta moral e dignidade coerentes com a santidade de Deus. Rasgar o coração significava então abraçar no íntimo e no social a aliança com Deus e o amor aos irmãos em todas as situações.

Os 40 dias do itinerário quaresmal nos associam mais de perto à Páscoa de Jesus. Passamos por um treinamento espiritual: maior atenção à Palavra de Deus, mais tempo de oração, renúncias pessoais livres para ter o autodomínio sobre as más inclinações e intensificar a prática da caridade (Campanha da Fraternidade).

O carnaval é cinza sem vida. A Quaresma é cinza que produz vida, purificando-nos!

Chaga social que nos envergonha




No ano de seu cinquentenário, a Campanha da Fraternidade traz um tema complexo e desafiador: tráfico humano. Para a grande maioria da população brasileira será uma chocante surpresa constatar a existência desse crime em nosso país. E numa proporção jamais imaginada.

A ONU descreve o crime de tráfico humano como “o recrutamento, o transporte, a transferência, o alojamento ou o acolhimento de pessoas, recorrendo à ameaça ou uso de força ou a outras formas de coação, ao rapto, à fraude, ao engano, ao abuso de autoridade ou à situação de vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação de pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre outra para fins de exploração”.

São quatro as principais modalidades de tráfico humano: para exploração no trabalho, para tráfico de órgãos, para exploração sexual e tráfico de crianças. Trata-se de um crime organizado que rende uma fortuna aos que o praticam. Com mais de 241 rotas nacionais e internacionais, esse crime tem a invisibilidade como sua maior aliada. Suas vítimas nem sempre o denunciam seja por falta de consciência da exploração a que são submetidas, seja por vergonha ou medo de represálias dos que as exploram.

Alguns números nos ajudam a entender melhor do que estamos falando. Segundo a ONU, o tráfico humano rende cerca de U$ 32 bilhões por ano. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estimou, em 2012, que as vítimas do trabalho escravo e da exploração sexual no mundo somaram 21 milhões de pessoas. Desse total, mais da metade (55%) é de mulheres e jovens. No Brasil, de acordo com a Comissão Pastoral da Terra, entre 2003 e 2012, foram registrados 62.802 casos de pessoas em situação de trabalho escravo. Não é fácil precisar, no entanto, o número dos que são vítimas para o tráfico de órgãos.

Tomar consciência da prática desse crime e denunciá-lo é o grande objetivo da Campanha da Fraternidade, juntamente com a mobilização da sociedade brasileira para a erradicação desse mal que envergonha o país. Governos, justiça, legisladores, igrejas, sociedade civil, todos temos o dever de nos empenhar ao máximo na busca de caminhos que ponham fim a essa chaga que tem vitimado milhares de nossos irmãos e irmãs.

Lembra o texto base da CF que “a exploração, compra e venda das pessoas não é apenas mais um dano colateral do sistema econômico atual. Seus mecanismos perversos escondem verdadeiras formas de idolatria: dinheiro, ideologia e tecnologia” (n. 160). O tráfico humano é um pecado “concretizado em mentira, exploração e assassinato, opressão da verdade pela injustiça e pela soberba diante de Deus” (n. 159).

O tráfico humano fere a dignidade das pessoas, criadas à imagem e semelhança de Deus. Rouba-lhes a liberdade e põe fim ao seu sonho de uma vida feliz. Deus não nos criou para a exploração e a escravidão. “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1).

Que a Quaresma nos ajude em nossa conversão e nos faça comprometidos na luta pelo fim do tráfico humano, chaga social que nos envergonha.


Pe. Geraldo Martins
Coordenador Arquidiocesano de Pastoral