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sábado, 31 de maio de 2014

Evangelho do Dia 1/06

Evangelho do diaMt 28, 16-20 - Os onze discípulos foram para a Galileia, ao monte que Jesus lhes tinha indicado. Quando viram Jesus, prostraram-se diante dele. Ainda assim alguns duvidaram.

Então Jesus aproximou-se e falou: “Toda a autoridade me foi dada no céu e sobre a terra. Portanto, ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei! Eis que estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo”.

Recadinho
Como temos vivido nossa vocação missionária? - Como vive sua fé? De modo indiferente, apático, tranquilo, acomodado, atuante? - De que modo Cristo está com você? - Você ensina? Como? - É fácil testemunhar a fé?

Padre Geraldo Rodrigues, C.Ss.R

30 ANOS DE EPISCOPADO DE DOM GERALDO LYRIO ROCHA

Na missa em ação de graças, na Catedral da Sé em Mariana, neste sábado dia 31/05/2014, na festa da Visitação de Nossa Senhora e com o templo repleto, Dom Geraldo Lyrio Rocha, acompanhado por Dom Francisco Barroso Filho, bispo emérito de Oliveira e também jubilando neste ano, com várias dezenas de sacerdotes, seus familiares, amigos e conhecidos, Seminaristas, Religiosos e Religisosas, Vocacionados e Vocacionadas, Dom Geraldo Lyrio Rocha pronunciou a seguinte homilia pelo 30º aniversário de sua Ordenação Episcopal:

À Santíssima Virgem peço, como fiz ao término da solene liturgia de minha ordenação episcopal, que me empreste suas palavras transmitidas no Evangelho há pouco anunciado.

Com Maria proclamo: “A minha alma engrandece o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu salvador” (Lc 1,46-47), pela grande graça de minha Ordenação Episcopal que me foi concedida há 30 anos, pela imposição das mãos de Dom Silvestre Luiz Scandian e dos demais bispos presentes na Catedral Metropolitana de Vitória, naquele memorável dia 31 de maio de 1984.

Escolhi essa data porque era meu desejo ser ordenado bispo numa festa mariana, assim como acontecera com minha ordenação presbiteral. A Visitação de Nossa Senhora à sua prima Isabel traz as marcas da missão e do serviço.

Tendo concebido o Verbo Eterno de Deus, por obra do Espírito Santo, “Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judeia” (Lc 1,39). A Virgem missionária, levando Jesus Cristo em seu seio virginal, sai de suas acomodações na cidadezinha de Nazaré e vai comunicar a boa nova da encarnação do Filho de Deus. “Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel” (Lc 1, 40). A Virgem servidora, com humildade e disponibilidade presta serviço generoso à sua prima que, na velhice concebera e ia dar à luz seu filho João Batista, o Precursor do Messias. Pela Virgem da Visitação, sempre peço a Deus que o espírito missionário e a atitude de serviço inspirem o exercício do ministério que me foi concedido, e assim eu possa realizar meu lema: OPUS FAC EVANGELISTAE.

Dos meus 30 anos de ministério episcopal, seis foram dedicados à Arquidiocese de Vitória, como bispo auxiliar; doze, à Diocese de Colatina, da qual tive a graça de ser o primeiro bispo; cinco, à Arquidiocese de Vitória da Conquista, onde fui o primeiro arcebispo; e quase sete, a esta querida Igreja particular de Mariana da qual sou o 13º na sucessão de seus pastores e o quinto arcebispo metropolitano, tendo a imensa honra de ser sucessor imediato do Servo de Deus Dom Luciano Mendes de Almeida.

Por Maria, invocada com os títulos de Nossa Senhora da Penha, Padroeira do Estado do Espírito Santo; Nossa Senhora da Saúde, Padroeira da Diocese de Colatina; Nossa Senhora das Vitórias, Padroeira da Arquidiocese de Vitória da Conquista e Nossa Senhora da Assunção, Padroeira da Arquidiocese de Mariana, elevo ao Senhor minha ação de graças pelas três ordenações episcopais, setenta ordenações presbiterais, setenta e duas ordenações diaconais, numerosas crismas, as muitas visitas pastorais, as dezenas de dedicação de igrejas e altares e tantas outras formas de exercício do múnus episcopal em nome, no lugar e na pessoa de Jesus Cristo, Mestre, Sacerdote e Pastor.

Sem merecimento algum de minha parte, o Senhor me tem concedido a graça de exercer a solicitude pela Igreja, nos serviços que me têm sido confiados na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, no Conselho Episcopal Latino Americano, nas Conferências do Episcopado da América Latina e Caribe em Santo Domingo e em Aparecida, em quatro Sínodos dos Bispos e em organismos da Sé Apostólica. Não poso deixar de agradecer a Deus a graça dos encontros pessoais com São João Paulo II, Bento XVI e o Papa Francisco, bem como a amizade e a consideração que recebo de meus irmãos no episcopado. Tudo isso é graça de Deus.

Bendigo ao Senhor pelos meus irmãos presbíteros e diáconos, religiosos e religiosas, leigos e leigas, especialmente por aqueles que, ao longo destas três décadas, me têm ajudado, mais de perto, a levar o peso das responsabilidades que recaem sobre meus frágeis ombros. Na presença do Senhor, recordo-me de todos aqueles a quem tenho servido no exercício do ministério episcopal.

Sem dúvida, não faltaram dificuldades, desafios, preocupações, sofrimentos, pedras e espinhos ao longo do caminho. Entretanto, tudo isso desbota, perde o colorido e se apaga no oceano das inúmeras graças de Deus e das profundas alegrias que têm marcado minha vida e meu ministério.

Com humildade, reconheço minha fragilidade, minhas limitações, meus defeitos, erros e pecados. Mas, confio na compreensão generosa dos irmãos e, sobretudo, no perdão misericordioso do Pai, que supre com sua graça o que com minhas limitações não consigo realizar. Com o Salmista, “uma só coisa eu peço a Deus e a procuro: habitar na casa do Senhor todos os dias de minha vida” (Sl 26, 4).

“A minha alma engrandece o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu salvador” (Lc 1, 47) por meus pais, irmãos e demais familiares, que sempre me estimularam e apoiaram em minha caminhada vocacional e nunca interferiram no exercício do meu ministério como presbítero e como bispo, mas, de modo discreto e solidário, sempre estiveram ao meu lado, inclusive marcando presença nos momentos importantes de minha vida, como, aliás, hoje aqui acontece.

“Como retribuirei ao Senhor por tudo aquilo que me tem concedido, em favor de seu povo santo, nestes meus 30 anos de episcopado? Erguerei o Cálice da Salvação e partirei neste altar o Pão da Vida invocando o nome santo do Senhor” (cf. Sl 115, 12-13). Amém “

Ao final da Celebração, Sua Excelência foi saudado por Monsenhor Celso Murilo Souza Reis, em nome do Clero e de toda a Arquidiocese, como também usou da palavra Dom Barroso.

Foi feita ainda uma belíssima homenagem a Dom Geraldo por 30 crianças que cantaram uma música apropriada à celebração e lhe entregaram 30 lírios. Em seguida, as festividades se encerraram com lauto banquete no Seminário de Teologia. A Deus, elevamos ações de graças pelo profícuo ministério episcopal de Dom Geraldo Lyrio Rocha.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Santo do dia


Santa Joana d'Arc
30/05

Joana nasceu na região francesa de Lorena, em 6 de janeiro de 1412. Cresceu no meio rural, piedosa, devota e analfabeta. Assinava seu nome utilizando uma cruz. Aos treze anos, começou a viver experiências místicas. Os pais acharam que estava louca. A França vivia a guerra dos cem anos com a Inglaterra. Os franceses estavam enfraquecidos com o rei deposto e os ingleses tentando firmar seus exércitos para tomar de vez o trono. Joana, nas suas orações, recebia mensagens que exigiam que ela expulsasse os invasores, reconquistasse a cidade de Órleans e reconduzisse ao trono o rei Carlos VII. O rei só concordou em seguir os conselhos de Joana quando percebeu que ela realmente era um sinal de Deus. Deu-lhe a chefia de seus exércitos. Joana vestiu armadura de aço, empunhou como única arma uma bandeira com a cruz e os nomes de Jesus e Maria nela bordados, chamando os comandantes à luta pela pátria e por Deus. Os franceses sitiados reagiram e venceram os invasores ingleses, livrando o país da submissão. Carlos VII foi então coroado na catedral de Reims, como era tradição na realeza francesa. Quanto a Joana, foi ferida, traída e vendida para os ingleses, que decidiram julgá-la por heresia. Num processo religioso, grotesco, completamente ilegal, foi condenada à fogueira como "feiticeira, blasfema e herética". Tinha dezenove anos e morreu murmurando os nomes de Jesus e Maria, em 30 de maio de 1431. Vinte anos depois, o processo foi revisto pelo Papa Calisto III, que constatou a injustiça e a reabilitou. Joana d'Arc foi canonizada em 1920 pelo Papa Bento XV, sendo proclamada padroeira da França.

Reflexão: 

Joana entrou para a história como mito. Aquela jovem camponesa de 20 anos incompletos, tendo como arma principal sua fé, tornou-se respeitada como uma grande líder. Joana D'Arc é considerada a maior heroína nacional da França. Seu nome, imagem e história estão presentes em todo o país. Mesmo tendo sido uma guerreira, ela jamais deixou de praticar sua fé em Jesus Cristo.

Oração: 
Ó Deus, que nos alegrais com a comemoração de Santa Joana d'Arc, concedei que sejamos ajudados pelos seus méritos e iluminados pelos seus exemplos de castidade e fortaleza. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

Colaboração: Padre Evaldo César de Souza, CSsR

Evangelho do Dia 30



Jo 16, 20-23a - Jesus disse aos seus discípulos: “Em verdade, em verdade vos digo: Vós chorareis e vos lamentareis, mas o mundo se alegrará; vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se transformará em alegria. A mulher, quando deve dar à luz, fica angustiada porque chegou a sua hora; mas, depois que a criança nasceu, ela já não se lembra dos sofrimentos, por causa da alegria de um homem ter vindo ao mundo. Também vós agora sentis tristeza, mas eu hei de ver-vos novamente e o vosso coração se alegrará, e ninguém vos poderá tirar a vossa alegria. Naquele dia, não me perguntareis mais nada”.
Recadinho
Nas angústias você busca força e consolo em Deus? - Teve muitas tristezas que se transformaram em alegria? - Procura fortalecer sua fé? Como? - E diante do sofrimento do próximo, consegue fazer-se presente? - O que lhe diz a expressão “o sol voltará a brilhar?”

Padre Geraldo Rodrigues, C.Ss.R

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Maio: Mês de Maria e das coroações.

Altar de 2013

Para se perceber melhor o perfil materno de Nossa Senhora, três passagens bíblicas podem esclarecer.

A primeira é a das Bodas de Caná, que realça a intercessora. Quando percebeu – o olhar feminino que tudo vê e tudo observa – estar faltando vinho, sussurra no ouvido do Filho sua preocupação e obtém, quase sem pedir, apenas sugerindo, o milagre da transformação da água em generoso vinho. Ela é de fato a mãe que se interessa pelos filhos de Deus que são seus filhos.

Outra passagem do Evangelho esclarecedora da personalidade de Maria é a que nos mostra seu silêncio e sua humildade. O anjo a encontra na quietude de sua casa, rezando, para dizer-lhe que fora escolhida por Deus para dar ao mundo o Emanuel, o Salvador. Ela se assusta com a mensagem celeste, porque, na sua humildade, nunca poderia ter pensado em ser escolhida do Altíssimo. Acolhe assim, por vontade divina, a palavra do mensageiro, silenciosamente, sem dizer, nem sequer ao noivo José, o que nela se realizava. Deus tem o direito de escolher e por isto Ela diz apenas o generoso “sim” que a tornou Mãe de Deus.

O terceiro traço de Maria-Mãe é sua corajosa atitude diante do sofrimento. Ao apresentar o seu Jesus no templo, ouve a assustadora profecia do velho Simeão: “uma espada de dor transpassará a tua alma”. Pouco mais tarde, estreitando ao peito o Menino Jesus, deve fugir para o Egito com o esposo, para que a crueldade de Herodes não atingisse a Criança que – pensava ele, Herodes – lhe poderia roubar o trono. Quando seu filho tem doze anos, desencontra-se dele e, ao achá-lo após três dias, queixa-se amorosamente: “por que fizeste isto? Eu e teu pai te procurávamos, aflitos”. Sua coragem se confirma na paixão e crucifixão de Jesus. De pé, ali no Calvário, sofre e associa-se ao sacrifício do redentor. É a mulher forte, a mãe corajosa e firme, a quem a dor não derruba. De fato, a espada de Simeão lhe atravessara a alma e o coração. É a Senhora das Dores.

Maio, mês a Ela dedicado pela piedade cristã, é um convite para voltarmos nosso olhar a esta Mãe querida para pedir-Lhe, abra as mãos maternas em Bênção de carinho sobre nos. Amém

Evangelho do dia 20

Jo 14, 27-31a - Jesus disse a seus discípulos: 
“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; mas não a dou como o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração. Ouvistes que eu vos disse: “Vou, mas voltarei a vós”. Se me amásseis, ficaríeis alegres porque vou para o Pai, pois o Pai é maior do que eu. Disse-vos isto, agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, vós acrediteis. Já não falarei muito convosco, pois o chefe deste mundo vem. Ele não tem poder sobre mim, mas, para que o mundo reconheça que eu amo o Pai, eu procedo conforme o Pai me ordenou”.

Recadinho

Você colabora para que haja paz onde vive (família, trabalho, sociedade...)? - Você procura aproximar-se quando nota que há alguém precisando de sua presença, sua palavra amiga? - Você transmite esperança e paz de Deus? - Você aproveita sempre as ocasiões de transmitir uma mensagem de paz? - Reza pela paz?

Padre Geraldo Rodrigues, C.Ss.R

quinta-feira, 15 de maio de 2014

NOMEAÇÕES E TRANSFERÊNCIAS

Depois de ouvir o Conselho Episcopal, o Senhor Arcebispo Dom Geraldo Lyrio Rocha nomeou o Côn. Lauro Sérgio Versiani Barbosa, Pároco da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, em Viçosa. Pe. Ronaldo da Silva Miranda, Pároco da nova Paróquia de São José, em Barão de Cocais e Pe. João do Carmo Macedo, Administrador Paroquial da Paróquia de São Sebastião, em Pedra do Anta

quarta-feira, 14 de maio de 2014

AUTORIZADO INÍCIO DO PROCESSO DE BEATIFICAÇÃO DE DOM LUCIANO

A arquidiocese de Mariana (MG) divulgou ontem, dia 13, comunicado da Congregação para a Causa dos Santos sobre o processo de beatificação de dom Luciano Mendes de Almeida. “Por parte da Santa Sé, não há nada que impeça, para que se inicie a Causa de Beatificação e Canonização de Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida”, informa a Congregação. A solicitação de abertura do processo foi feita pelo arcebispo local, dom Geraldo Lyrio Rocha, que poderá instituir o Tribunal que levará adiante o processo.

Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida foi arcebispo de Mariana de 1988 a 2006, quando faleceu aos 75 anos. O arcebispo, da Companhia de Jesus, foi secretário geral (de 1979 a 1986) e presidente (de 1987 a 1994) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por dois mandatos consecutivos.

Em nota publicada em 2006 sobre dom Luciano, a Presidência da CNBB destacou entre as marcas que deixou na instituição o dinamismo, a inteligência privilegiada, a dedicação incansável e o testemunho de amor à Igreja.

De origem fluminense, dom Luciano nasceu em 5 de outubro de 1930. Doutor em Filosofia, foi membro do Conselho Permanente da CNBB de 1987 até o ano de sua morte. Também atuou na Pontifícia Comissão Justiça e Paz, foi vice-presidente do Conselho Episcopal Latino-americano (Celam) e presidente da Comissão Episcopal do Mutirão para a Superação da Miséria e da Fome.

Durante quase duas décadas à frente da arquidiocese de Mariana (MG), o bispo deu forte impulso pastoral àquela Igreja particular, onde a organizou em cinco Regiões Pastorais. Deu atenção à formação permanente do clero, à realização de assembleias pastorais e à reestruturação de conselhos arquidiocesanos. Também organizou pastorais, religiosos, processos formativos do Seminário Arquidiocesano e obras sociais, além do investimento na capacitação e participação dos leigos e na preservação das Igrejas históricas

segunda-feira, 12 de maio de 2014

CNBB divulga mensagem aos agentes da Pastoral do Dízimo

A Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), durante a 52ª Assembleia Geral, realizada de 30 de abril a 9 de maio, em Aparecida (SP), designou uma Comissão Episcopal para fazer um estudo sobre a Pastoral do Dízimo no Brasil. Os bispos, reunidos no evento, aprovaram uma mensagem aos agentes da Pastoral do Dízimo, assinada pelo arcebispo de Aparecida (SP) e presidente da CNBB, cardeal Raymundo Damasceno Assis; pelo arcebispo de São Luís (MA) e vice-presidente, dom José Belisário; pelo bispo auxiliar de Brasília e secretário geral da Conferência, dom Leonardo Steiner.

No texto, os bispos explicam que a comissão “irá conhecer as ricas experiências” das comunidades no que diz respeito à Pastoral do Dízimo. Além disso, “irá recolher o material que muitas Dioceses já produziram sobre essa praxe bíblica e estudar as reflexões e publicações de inúmeros teólogos e pastoralistas”.

Para isto, convocam os agentes da Pastoral do Dízimo a colaborarem com a pesquisa, quando forem solicitados. Leia, na íntegra, a mensagem:

Mensagem da CNBB
aos agentes da Pastoral do Dízimo


Prezados agentes da Pastoral do Dízimo,


É com alegria que os Bispos do Brasil, reunidos em Aparecida sob o manto de Nossa Senhora, participando da 52ª Assembleia Geral da CNBB, comunicam que será feito um estudo sobre a Pastoral do Dízimo.

O que nos leva a tomar essa iniciativa é a certeza de que o Dízimo é um sinal visível da participação e corresponsabilidade dos fiéis na comunidade eclesial; ajuda os católicos a desenvolver sua consciência de pertença à Igreja; é uma expressão viva da fé e da gratidão a Deus; dá condições à Igreja de cumprir sua missão evangelizadora; incentiva a partilha de nossos bens com os pobres.

Para coordenar este trabalho, foi nomeada uma Comissão Episcopal para a Pastoral do Dízimo que irá conhecer as ricas experiências de nossas comunidades, recolher o material que muitas Dioceses já produziram sobre essa praxe bíblica e estudar as reflexões e publicações de inúmeros teólogos e pastoralistas. Em seguida, será elaborado um Anteprojeto aberto à colaboração de todos, para possibilitar melhores condições de aprovação e publicação na coleção de "Estudos da CNBB".

Por isso, quando sua Equipe Diocesana for chamada a colaborar com a Comissão Episcopal para o Dízimo, nomeada pela Presidência da CNBB, esperamos que o faça com alegria. O resultado desse trabalho certamente ajudará as Dioceses que querem incentivar, renovar ou mesmo implantar este importante serviço Pastoral.

Agradecemos a todos os que se dedicam a esta Pastoral e imploramos a graça de Deus para os seus trabalhos que possibilitam nossa Igreja imitar as primeiras comunidades cristãs: "Todos os que acreditavam estavam unidos e tinham tudo em comum" (At 2,44).

Nossa Senhora Aparecida, nossa padroeira e Rainha, interceda por nossas comunidades, seus pastores e cada um dos discípulos missionários de seu Filho.

Aparecida, 08 de maio de 2014.

Cardeal Raymundo Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida
Presidente da CNBB

Dom José Belisário da Silva, OFM
Arcebispo de São Luís do Maranhão
Vice Presidente da CNBB


Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB

Evangelho do dia 12





Jo 10, 11-18 - Naquele tempo, disse Jesus: Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas. O mercenário, que não é pastor e não é dono das ovelhas, vê o lobo chegar, abandona as ovelhas e foge, e o lobo as ataca e dispersa. Pois ele é apenas um mercenário e não se importa com as ovelhas. Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem, assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai.

Eu dou minha vida pelas ovelhas. Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil: também a elas devo conduzir, escutarão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor. É por isso que o Pai me ama, porque dou a minha vida, para depois recebê-la novamente. Ninguém tira a minha vida, eu a dou por mim mesmo; tenho poder de entregá-la e tenho poder de recebê-la novamente; esta é a ordem que recebi do meu Pai.

Reflexão

Jesus faz um paralelo entre um pastor e um empregado. Um age em busca em primeiro lugar de seu salário. O outro age como dono das ovelhas.
Qual a diferença entre o modo de agir deles?
- O que acontece quando não se trabalha por amor?
- O que devemos fazer pelas ovelhas que não pertencem ao rebanho de Cristo?
- Você ajuda na evangelização? Como?
- Qual a atividade de Igreja que mais lhe agrada?

Padre Geraldo Rodrigues, C.Ss.R

Mensagem do Papa para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações



 “Vocações, testemunho da verdade”




Amados irmãos e irmãs!

1. Narra o Evangelho que «Jesus percorria as cidades e as aldeias (...). Contemplando a multidão, encheu-Se de compaixão por ela, pois estava cansada e abatida, como ovelhas sem pastor. Disse, então, aos seus discípulos: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao Senhor da messe para que envie trabalhadores para a sua messe”» (Mt 9, 35-38). Estas palavras causam-nos surpresa, porque todos sabemos que, primeiro, é preciso lavrar, semear e cultivar, para depois, no tempo devido, se poder ceifar uma messe grande. Jesus, ao invés, afirma que «a messe é grande». Quem trabalhou para que houvesse tal resultado? A resposta é uma só: Deus. Evidentemente, o campo de que fala Jesus é a humanidade, somos nós. E a ação eficaz, que é causa de «muito fruto», deve-se à graça de Deus, à comunhão com Ele (cf. Jo 15, 5). Assim a oração, que Jesus pede à Igreja, relaciona-se com o pedido de aumentar o número daqueles que estão ao serviço do seu Reino. São Paulo, que foi um destes «colaboradores de Deus», trabalhou incansavelmente pela causa do Evangelho e da Igreja. Com a consciência de quem experimentou, pessoalmente, como a vontade salvífica de Deus é imperscrutável e como a iniciativa da graça está na origem de toda a vocação, o Apóstolo recorda aos cristãos de Corinto: «Vós sois o seu [de Deus] terreno de cultivo» (1 Cor 3, 9). Por isso, do íntimo do nosso coração, brota, primeiro, a admiração por uma messe grande que só Deus pode conceder; depois, a gratidão por um amor que sempre nos precede; e, por fim, a adoração pela obra realizada por Ele, que requer a nossa livre adesão para agir com Ele e por Ele.

2. Muitas vezes rezamos estas palavras do Salmista: «O Senhor é Deus; foi Ele quem nos criou e nós pertencemos-Lhe, somos o seu povo e as ovelhas do seu rebanho» (Sal 100/99, 3); ou então: «O Senhor escolheu para Si Jacob, e Israel, para seu domínio preferido» (Sal 135/134, 4). Nós somos «domínio» de Deus, não no sentido duma posse que torna escravos, mas dum vínculo forte que nos une a Deus e entre nós, segundo um pacto de aliança que permanece para sempre, «porque o seu amor é eterno!» (Sal 136/135, 1). Por exemplo, na narração da vocação do profeta Jeremias, Deus recorda que Ele vigia continuamente sobre a sua Palavra para que se cumpra em nós. A imagem adotada é a do ramo da amendoeira, que é a primeira de todas as árvores a florescer, anunciando o renascimento da vida na Primavera (cf. Jr 1, 11-12). Tudo provém d’Ele e é dádiva sua: o mundo, a vida, a morte, o presente, o futuro, mas – tranquiliza-nos o Apóstolo - «vós sois de Cristo e Cristo é de Deus» (1 Cor 3, 23). Aqui temos explicada a modalidade de pertença a Deus: através da relação única e pessoal com Jesus, que o Batismo nos conferiu desde o início do nosso renascimento para a vida nova. Por conseguinte, é Cristo que nos interpela continuamente com a sua Palavra, pedindo para termos confiança n’Ele, amando-O «com todo o coração, com todo o entendimento, com todas as forças» (Mc 12, 33). Embora na pluralidade das estradas, toda a vocação exige sempre um êxodo de si mesmo para centrar a própria existência em Cristo e no seu Evangelho. Quer na vida conjugal, quer nas formas de consagração religiosa, quer ainda na vida sacerdotal, é necessário superar os modos de pensar e de agir que não estão conformes com a vontade de Deus. É «um êxodo que nos leva por um caminho de adoração ao Senhor e de serviço a Ele nos irmãos e nas irmãs» (Discurso à União Internacional das Superioras Gerais, 8 de maio de 2013). Por isso, todos somos chamados a adorar Cristo no íntimo dos nossos corações (cf. 1 Ped 3, 15), para nos deixarmos alcançar pelo impulso da graça contido na semente da Palavra, que deve crescer em nós e transformar-se em serviço concreto ao próximo. Não devemos ter medo: Deus acompanha, com paixão e perícia, a obra saída das suas mãos, em cada estação da vida. Ele nunca nos abandona! Tem a peito a realização do seu projeto sobre nós, mas pretende consegui-lo contando com a nossa adesão e a nossa colaboração.

3. Também hoje Jesus vive e caminha nas nossas realidades da vida ordinária, para Se aproximar de todos, a começar pelos últimos, e nos curar das nossas enfermidades e doenças. Dirijo-me agora àqueles que estão dispostos justamente a pôr-se à escuta da voz de Cristo, que ressoa na Igreja, para compreenderem qual possa ser a sua vocação. Convido-vos a ouvir e seguir Jesus, a deixar-vos transformar interiormente pelas suas palavras que «são espírito e são vida» (Jo 6, 63). Maria, Mãe de Jesus e nossa, repete também a nós: «Fazei o que Ele vos disser!» (Jo 2, 5). Far-vos-á bem participar, confiadamente, num caminho comunitário que saiba despertar em vós e ao vosso redor as melhores energias. A vocação é um fruto que amadurece no terreno bem cultivado do amor uns aos outros que se faz serviço recíproco, no contexto duma vida eclesial autêntica. Nenhuma vocação nasce por si, nem vive para si. A vocação brota do coração de Deus e germina na terra boa do povo fiel, na experiência do amor fraterno. Porventura não disse Jesus que «por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros» (Jo 13, 35)?

4. Amados irmãos e irmãs, viver esta «medida alta da vida cristã ordinária» (João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte, 31) significa, por vezes, ir contra a corrente e implica encontrar também obstáculos, fora e dentro de nós. O próprio Jesus nos adverte: muitas vezes a boa semente da Palavra de Deus é roubada pelo Maligno, bloqueada pelas tribulações, sufocada por preocupações e seduções mundanas (cf. Mt 13, 19-22). Todas estas dificuldades poder-nos-iam desanimar, fazendo-nos optar por caminhos aparentemente mais cômodos. Mas a verdadeira alegria dos chamados consiste em crer e experimentar que o Senhor é fiel e, com Ele, podemos caminhar, ser discípulos e testemunhas do amor de Deus, abrir o coração a grandes ideais, a coisas grandes. «Nós, cristãos, não somos escolhidos pelo Senhor para coisas pequenas; ide sempre mais além, rumo às coisas grandes. Jogai a vida por grandes ideais!» (Homilia na Missa para os crismandos, 28 de Abril de 2013). A vós, Bispos, sacerdotes, religiosos, comunidades e famílias cristãs, peço que orienteis a pastoral vocacional nesta direção, acompanhando os jovens por percursos de santidade que, sendo pessoais, «exigem uma verdadeira e própria pedagogia da santidade, capaz de se adaptar ao ritmo dos indivíduos; deverá integrar as riquezas da proposta lançada a todos com as formas tradicionais de ajuda pessoal e de grupo e as formas mais recentes oferecidas pelas associações e movimentos reconhecidos pela Igreja» (João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte, 31).

Disponhamos, pois, o nosso coração para que seja «boa terra» a fim de ouvir, acolher e viver a Palavra e, assim, dar fruto. Quanto mais soubermos unir-nos a Jesus pela oração, a Sagrada Escritura, a Eucaristia, os Sacramentos celebrados e vividos na Igreja, pela fraternidade vivida, tanto mais há de crescer em nós a alegria de colaborar com Deus no serviço do Reino de misericórdia e verdade, de justiça e paz. E a colheita será grande, proporcional à graça que tivermos sabido, com docilidade, acolher em nós. Com estes votos e pedindo-vos que rezeis por mim, de coração concedo a todos a minha Bênção Apostólica.

Vaticano, 15 de Janeiro de 2014

Francisco

A renovação da Paróquia

A renovação da Paróquia

A Paróquia foi o tema principal da 52ª assembleia geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizada em Aparecida de 30 de abril a 9 de maio. Já na assembleia anual de 2014, o tema tinha sido refletido; desta vez, voltou ais amadurecido, resultando na aprovação de um novo Documento da CNBB sobre o assunto.

A insistência no tema pode ter, ao menos, dois significados diversos: que a Paróquia é muito importante para a própria Igreja e que ela precisa passar por transformações e ser revitalizada.

A Paróquia, de fato, tem sido ao longo dos séculos o rosto mais visível e próximo da Igreja; ela é a imagem perceptível daquilo que a própria Igreja é, no seu todo: a comunidade dos batizados, convocados e guiados pela Palavra de Deus, reunidos em torno da Eucaristia e de um ministro ordenado que, como pastor encarregado, os serve e conduz em nome de Cristo Pastor, na comunhão da grande Comunidade eclesial.

Na Paróquia, os filhos da Igreja expressam e nutrem sua fé, celebram os Mistérios de Deus, organizam e praticam a caridade, inserem-se concretamente nas realidades da comunidade humana na qual vivem, para testemunhar a vida nova e a esperança que vêm do Evangelho.

Ainda na Paróquia, floresce a vida cristã na riqueza e na variedade dos dons do Espírito Santo e se cuida de transmitir a fé e de viver a dimensão missionária da Igreja. Apesar das muitas críticas feitas à Paróquia, a Igreja não a abandona e continua vendo nessa forma de organização da vida cristã e da missão eclesial uma escolha válida.

Ela precisa, é certo, de ajustes e melhorias constantes e é isso que a CNBB está buscando fazer. A vida cristã tem uma dimensão pessoal e envolve diretamente a pessoa, suas escolhas e respostas de fé à proposta de vida segundo o Evangelho.

Porém, não é individualista nem meramente subjetiva, mas vinculada à vida comunitária e eclesial. A cultura do nosso tempo, marcada fortemente pelo individualismo e pelo subjetivismo, também pode contagiar a vida cristã, abandonando seus vínculos comunitários e eclesiais.

Nisso haveria uma grave perda. De fato, nós não cremos “do nosso jeito”, nem buscamos dar soluções às questões morais “do nosso jeito”, mas do jeito da Igreja. Já desde o princípio, os apóstolos tiveram a preocupação de transmitir o que viram, ouviram e receberam do Senhor Jesus; e Paulo, em seguida, insiste em dizer: “o que recebi, foi isso que também vos transmiti”. Ele queria destacar que não inventava, de sua cabeça, o que pregava aos outros.

E os apóstolos e, depois deles, os Pastores da Igreja, também insistiam em dizer que era preciso viver de maneira coerente com o que se aprendeu do Evangelho, não mais apenas conforme os costumes e práticas do tempo. Assim foi ao longo dos séculos, e assim continua até hoje.

O papa Bento XVI lembrou aos jovens, na Jornada Mundial da Juventude, de Colônia (Alemanha), que a fé e a vida cristã não são feitas à maneira de “self-service”, onde cada um escolhe só o que gosta ou decide o que lhe convém... Nossa fé é ligada à Comunidade de fé; a própria Igreja é o “sujeito da fé”; com ela nós cremos e praticamos a vida cristã. A Paróquia precisa, pois, ser redescoberta como o “lugar” da vida comunitária da fé e da vida cristã.

O Documento da CNBB a apresenta como “Comunidade de Comunidades”, com muitas expressões pessoais e comunitárias da fé e da vida cristã. A Paróquia precisa favorecer as muitas formas de vida eclesial comunitária, com tudo o que isso significa para as relações mútuas entre os fieis e, destes, com a comunidade humana plural circunstante.

Usando a linguagem do Documento de Aparecida (2007) e da recente Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, do papa Francisco, podemos dizer que também a Paróquia precisa fazer a sua “conversão pastoral e missionária”, para expressar melhor a sua vida e missão nos tempos atuais. E é isso que o novo Documento da CNBB orienta a fazer.







Cardeal Odilo P. Scherer

Arcebispo de São Paulo

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Bispos aprovam dois documentos e indicam diretrizes para eleições 2014

Ao encerrar a 52ª Assembleia Geral da CNBB nesta sexta-feira, 9 de maio, em Aparecida (SP) os bispos entregaram dois novos documentos e apresentaram indicações pastorais em vista das eleições de 2014. O primeiro documento entregue contempla o Tema Central do encontro deste ano que versou sobre a renovação das paróquias e o segundo trata a questão agrária no país. O primeiro ocupou duas assembleias para ser aprovado, o segundo desde 2009 estava sendo organizado. A respeito das eleições de 2014, os bispos apresentaram o projeto ‘Pensando o Brasil: desafios diante das eleições 2014’, onde convocam os cidadãos a se prepararem conscientemente para o momento da eleição.



Documento sobre o Tema Central

O documento ‘Comunidade de Comunidades: uma nova paróquia’ encontrou neste ano o campo favorável para ser aprovado. Depois de duas edições, colaboração de dioceses e acréscimos, o documento chegará às Igrejas particulares do Brasil para fomentar uma Igreja missionária seguindo o apelo de toda a Igreja e especialmente do Papa Francisco, como fez questão de lembrar o arcebispo de Aparecida na sessão de encerramento da assembleia. “Que nossa Igreja seja de fato como deseja o Papa Francisco, uma Igreja em saída, uma Igreja verdadeiramente missionária”, disse.


Documento sobre a Questão Agrária

O documento ‘A Igreja e a Questão Agrária Brasileira no início do século XXI’ destaca a realidade do país e as questões que envolvem a terra, traz uma análise dos bispos a respeito dos problemas que afligem as comunidades que enfrentam esse grave problema e por último, apresenta os desafios diante de realidades bem específicas. O documento deverá ser apresentado ao poder público para que este saiba a posição da Igreja em relação a esses desafios.

Projeto para as eleições de 2014

O tema que ocupou grande parte da coletiva foi a iniciativa da Igreja do Brasil para as eleições de outubro. Para o episcopado brasileiro é dever de todo cidadão a escolha de seus representantes e para os fiéis católicos tal escolha deve ser iluminada pela fé e amor cristãos. O Projeto dedica-se ainda a contribuir para que os eleitores possam votar conscientemente e participar efetivamente em vista do bem da coletividade. A mobilização com a Lei da Ficha Limpa recorda o quanto é importante a participação dos cidadãos, destacaram os bispos em texto divulgado na coletiva de imprensa.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Evangelho do Dia 09

Jo 6, 52-59 - Os judeus discutiam entre si, dizendo: “Como é que ele pode dar a sua carne a comer?” Então Jesus disse: “Em verdade, em verdade vos digo, se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós.

Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue, verdadeira bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo por causa do Pai, assim o que me come viverá por causa de mim. Este é o pão que desceu do céu. Não é como aquele que os vossos pais comeram. Eles morreram. Aquele que come este pão viverá para sempre”. Assim falou Jesus, ensinando na sinagoga em Cafarnaum


Bispos destacam Eleições 2014, formação de seminaristas e erradicação da fome

Na tarde desta quinta-feira (08), penúltimo dia da 52ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, Dom Joaquim Giovani Mol Guimarães; Dom Flávio Giovenale e Dom Alfredo Schaffler atenderam a imprensa e falaram sobre o Projeto Pensando Brasil, a Campanha Mundial contra a Fome, a Pobreza e as Desigualdades e o Projeto Comunhão e Partilha.


'Uma família humana, pão e justiça para todas as pessoas'

O bispo de Santarém (PA) e presidente da Cáritas Brasileira, Dom Flávio Giovenale ressaltou detalhes da Campanha Mundial da Cáritas contra a Fome, a Pobreza e as Desigualdades.


Dom Flávio explicou que a Cáritas Brasileira em sintonia com a Cáritas Internacional, entidade da Igreja Católica presente em duzentas nações e territórios espalhados pelo mundo todo, a partir de uma reflexão feita sobre os objetivos do milênio, realiza uma campanha que ressalta o primeiro objetivo do milênio da Organização das Nações Unidas (ONU) é o combate a fome até 2025.

“Vários governos em vários países do mundo ainda nem começaram ações para eliminar a fome no mundo. Diante dessa realidade, no ano passado em Roma, em uma reunião com o Santo Padre decidiu-se lançar uma campanha mundial nesse sentido”, contou.

A Campanha tem como tema 'Uma família humana, alimentos para todos', que no Brasil foi adaptada para 'Uma família humana, pão e justiça para todas as pessoas'.

O presidente da Cáritas Brasileira ressaltou que esta campanha tem duas vertentes que é erradicar a fome e evitar o desperdício de alimentos. Segundo dados da ONU mais de um bilhão de toneladas de alimentos são jogadas fora todos os anos.

“O Brasil é um dos recordistas nesse sentido, quase 60% da produção de alimentos não chegam à mesa, pois são estragados desde a colheita, manuseio e armazenamento”, afirmou.

De acordo com Dom Flávio, o objetivo é sensibilizar os governos, as pessoas, as empresas para a erradicação da fome.

“No Brasil já existem algumas ações. Estamos fazendo levantamentos de pequenas iniciativas para que se tornem conhecidas e difundidas”, afirmou.

Dom Flávio Giovenale adiantou ainda que a CNBB pretende fazer um gesto concreto e uma coleta em favor da população do Haiti. O bispo ressaltou que o Brasil, a CNBB, se faz presente no Haiti com muitas inciativas para ajudar a população na área da alimentação e ajuda humanitária.

Projeto Comunhão e Partilha


O bispo de Parnaíba (PI), Dom Alfredo Schaffler falou sobre o projeto da CNBB que financia a formação de seminaristas em dioceses mais pobres.

“Temos grande desigualdade entre nossas dioceses e no ano da nossa 50ª Assembleia Geral votamos e aprovamos que todas as dioceses e prelazias do Brasil destinam 1% de sua receita bruta mensal para um fundo administrado pela CNBB, com o objetivo de colaborar com as dioceses que não tem recursos para custear plenamente a formação de seus seminaristas”, explicou.

Dom Alfredo Schaffler ressaltou que o projeto solidário surgiu da preocupação do episcopado brasileiro com a formação dos seminaristas das dioceses mais pobres. Durante a 52ª Assembleia Geral foi apresentado o balancete de 2013 do projeto.

Eleições 2014

O bispo auxiliar de Belo Horizonte (MG) e presidente da Comissão para a Cultura e a Educação, Dom Joaquim Mol falou sobre o texto ‘Pensando o Brasil – desafios diante das Eleições 2014’.



“Este é um texto que vai além de uma nota, quer ser uma reflexão para ajudar a pensar o Brasil neste momento e também para inspirar outros materiais para as eleições em nossas dioceses e comunidades de acordo com suas realidades”, afirmou.

O bispo destacou três pontos que estão presentes no texto: a participação consciente nas eleições, olhar para os candidatos para que tenham princípios e valores, tendo uma história que confirme seus princípios e por fim que tenham boas ideias, projeto e programas.

Dom Joaquim Mol afirmou que é importante descobrir pessoas que se comprometeram com a Reforma Política no Brasil.

“Precisamos de muitas reformas, destacando a reforma no campo da educação, com reformas profundas, mas todas essas reformas dependem da participação dos políticos. Sem políticos bons nós também não conseguimos fazer boas reformas em nossos pais’, afirmou.

O bispo auxiliar de Belo Horizonte destacou as palavras do Papa Francisco falando que ‘esta economia que prevalece no mundo é uma economia que mata, pois exclui e promove a desigualdade’.

“Com o objetivo de mudar tudo isso nós precisamos fazer o que esta em nosso alcance: dar um voto cheio de significado com consciência bem formada, pois o povo brasileiro merece bons políticos”, concluiu.

Na sexta-feira (09), último dia da 52ª Assembleia Geral da CNBB, os bispos participaram da missa às 7h30, no Santuário Nacional, e logo em seguida participam da sessão de encerramento da assembleia.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Bispos aprovam documento sobre a Questão Agrária


O plenário da 52ª Assembleia Geral da CNBB aprovou na tarde desta quarta-feira, 7 de maio, o Documento sobre a visão da Igreja em relação à Questão Agrária Brasileira no século XXI. O processo de construção começou há 5 anos. Desde o ano passado foi publicado como um texto de estudo da CNBB e recebeu contribuições de diversos bispos e dioceses.

O Documento aprovado está dividido em três partes. Na primeira, faz uma contextualização da situação agrária atual. “Nessa parte, os bispos mostram quais são os gritos ensurdecedores que brotam de tantas realidades, como os povos indígenas, os quilombolas, os pescadores, os ribeirinhos, os extrativistas”, explica o presidente da Comissão Pastoral da Terra, dom Enemésio Lazarris.

A segunda parte traz o olhar dos bispos sobre a atual questão agrária, abordando a posse e o uso da terra à luz da Sagrada Escritura e dos Documentos da Igreja. Já na terceira parte, surgem os compromissos pastorais diante da questão. Dom Enemésio destaca que o Documento “é a palavra de mais de 350 bispos hoje para a sociedade em geral sobre este tema importante”. Segundo ele, “não se destina apenas para dentro da comunidade eclesial, mas para toda a sociedade”.

A parte final do Documento apresenta os desafios diante de realidades bem concretas: trabalho escravo, defesa da natureza, cuidado com a água, produção de energia sustentável. O episcopado também cobra do poder público uma posição sobre esta realidade. “Acreditamos que esse documento seja apresentado aos candidatos aos governos estaduais e federal, dizendo qual é a posição da Igreja em relação à questão agrária, e sobretudo sobre a função social da terra e da propriedade”, disse o bispo.

Evangelho do dia 08


Jo 6, 44-51 - Jesus disse à multidão: “Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o atrai. E eu o ressuscitarei no último dia. Está escrito nos Profetas: ‘Todos serão discípulos de Deus’. Ora, todo aquele que escutou o Pai e por ele foi instruído, vem a mim. Não que alguém já tenha visto o Pai. Só aquele que vem de junto de Deus viu o Pai. Em verdade, em verdade vos digo, quem crê possui a vida eterna. Eu sou o pão da vida. Os vossos pais comeram o maná no deserto e, no entanto, morreram. Eis aqui o pão que desce do céu: quem dele comer, nunca morrerá. Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo”.

Recadinho


Como é sua fé? - Que lugar ocupa a Eucaristia em sua vida? - O que você mais pede a Deus? - Você se dirige frequentemente a Deus? Como? - Que lugar ocupam as coisas de Deus em sua vida?

Padre Geraldo Rodrigues, C.Ss.

Dom do conselho orienta para as decisões corretas, diz Papa na catequese

Catequese Semanal 7 de maio de 2014Dando sequência à catequese sobre os dons do Espírito Santo, o Santo Padre refletiu sobre o dom do conselho nesta quarta-feira (7). Este dom caracterizado pela sabedoria, possibilita tomar decisões baseadas em um julgamento correto. É um dom que impulsiona o cristão na busca de Deus e no serviço aos irmãos.

O dom do conselho “nos torna capazes de fazer a escolha certa no nosso dia-a-dia, seguindo a lógica de Jesus e do seu Evangelho”, disse o Papa ao abrir a catequese.

“O conselho, então, é o dom com o qual o Espírito Santo torna a nossa consciência capaz de fazer uma escolha concreta em comunhão com Deus. Ele nos torna sensíveis à sua voz e orienta os nossos pensamentos, fazendo-nos assim crescer interiormente, para não nos deixar agir à mercê do egoísmo e do próprio modo de ver as coisas”, completou.

A oração torna dócil o coração permitindo uma sintonia profunda com o Espírito Santo. Nesse sentido, o Santo Padre aconselhou os fiéis a confiarem nos benefícios da oração. “Sempre voltamos ao mesmo ponto. A oração. Rezar é tão importante”, e rezar em todas as situações do cotidiano, lembrou o Papa. “Ninguém percebe quando nós rezamos no ônibus, na rua: rezemos em silêncio, com o coração, aproveitando desses momentos para rezar. Rezar para que o Espírito nos dê este dom do conselho”, indicou.

O dom do conselho é também um “tesouro para a comunidade cristã”. Através de homens e mulheres dóceis ao Espírito Santo pode-se “reconhecer a vontade de Deus na nossa vida”, disse Francisco.

“De fato, é justamente isto o que deve acontecer numa comunidade cristã: devemos nos apoiar mutuamente na fé, iluminando-nos um ao outro no Espírito Santo”, sublinhou.

O Santo Padre deu um testemunho pessoal lembrando uma experiência no confessionário do Santuário de Lujan, na Argentina. Ao atender um jovem em confissão, este contou que a mãe indicou o sacramento da penitência para pudesse receber um conselho de Nossa Senhora diante de um grande problema.

“Eis uma mulher que tem o dom do conselho. Não sabia encontrar uma saída para o problema do filho, mas indicou o caminho justo: Nossa Senhora. Este é o dom do conselho, deixar que o Espírito Santo fale. E aquela mulher humilde, simples, deu ao filho o verdadeiro conselho, pois olhando para Nossa Senhora o rapaz entendeu o que deveria fazer. Eu não fiz nada: a mãe, Maria e o rapaz fizeram tudo. Vocês, mães, peçam o dom de aconselharem seus filhos”, contou o Papa.

Ao final da reflexão, como faz em todas as catequeses, o Papa saudou peregrinos em vários idiomas, e em língua portuguesa deixou uma mensagem especial:

“Saúdo com carinho todos os peregrinos de língua portuguesa, particularmente os fiéis de Leiria-Fátima e os diversos grupos do Brasil. Queridos amigos, peçamos ao Senhor o dom do conselho, para que, nas diversas circunstâncias da vida, saibamos encontrar o modo certo de falar e de nos comportarmos, de tal modo que o nosso testemunho favoreça a difusão do Evangelho. Que Deus vos abençoe!”.

Fonte: Rádio Vaticano.

Liturgia, Campanha contra a fome e cristãos leigos são temas de hoje na 52ª Assembléia dos Bispos do Brasil.

A 52ª Assembleia Geral da CNBB entra hoje (07) no oitavo dia de atividades em Aparecida (SP) e os bispos terão um dia de debates, votação e explanações sobre variados temas como a revisão do Missa Romano, a Campanha Mundial contra a Fome, a pobreza e as desigualdades além do tema prioritário “Os cristão leigos e leigas”.
Ainda hoje os bispos devem votar a nova redação do texto de estudo do tema central da Assembleia “Comunidade de Comunidades: uma nova paróquia” para possível aprovação do Documento da CNBB.
A Comissão Episcopal para os Textos Litúrgicos apresenta conteúdos para a liturgia, representantes da Cáritas Brasileira falam aos bispos sobre o tema da campanha contra a fome “ Uma Família Humana, pão e justiça para todas as pessoas”.
O plenário dos bispos vota hoje também o documento sobre os cristãos leigos.
Além disso, os bispos reabrem a abordagem sobre os direitos de propriedade e uso da terra e outras temáticas devem estar na programação do dia como o projeto “Comunhão e Partilha” e o Acordo Brasil-Santa Sé.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Uma verdadeira escola de fé

Vivemos nestes dias a bonita experiência da Páscoa. E temos certeza de que toda a sua riqueza é gestada na celebração e na vivência da Quaresma e da Semana Santa, verdadeiro retiro espiritual para o Povo de Deus. É de fato uma bênção poder recordar e reviver todo o drama de Jesus, em sua paixão pela humanidade e sua compaixão pelos pecadores.

Para nós que vivemos em Minas Gerais, sobretudo em regiões marcadas pela piedade popular como a nossa, esse tempo é também uma escola de religiosidade e de fé. Como é bonito ver o povo celebrando, se emocionando, procurando o perdão, assumindo mudanças, voltando à Igreja, se envolvendo!

Como padres e pastores, temos o privilégio de acompanhar de perto todo esse processo de conversão, e aprender com essa gente simples a beleza de uma fé verdadeiramente vivencial, e não meramente teórica. Como aprendemos com o nosso povo!

Tudo isso nos coloca de cheio na questão da religiosidade popular. Para muitos, os atos paralitúrgicos da Semana Santa, como outras expressões de fé, podem soar como algo sem importância, ou uma manifestação inferior da fé. Algo menor. Mas o próprio Bento XVI nos recorda que se trata de um “precioso tesouro da Igreja Católica” (…) que ela deve proteger, promover e, naquilo que for necessário, também purificar” (Sessão de abertura da Conferência de Aparecida).

Não podemos negar que a própria religião oficial e sua liturgia trazem muito da fé popular existente no meio onde nasceu. E essa fé do povo nos ajuda a superar o intelectualismo, o exagerado rubricismo, muitas liturgias frias e distantes da realidade. É uma forma encarnada de se viver a fé em Jesus Cristo e a adesão ao seu Projeto; de expressar a própria espiritualidade.

A palavra de Bento XVI é clara. É preciso proteger e promover essa riqueza, sem deixar de também contribuir para que seja cada vez verdadeira, evitando desvios e deturpações.

Esse equilíbrio é fundamental. É importante reconhecer nos ritos paralitúrgicos uma ferramenta privilegiada para a oração, a evangelização e a reflexão. São expressões que dão visibilidade à fé e evangelizam. Numa sociedade secularizada onde, para muitos, a celebração do Mistério Pascal não passa de um bom ‘feriadão’, onde o Sagrado vai perdendo espaço para o consumismo, esses momentos são essenciais para a valorização da fé.

Por outro lado, é fundamental que haja também uma boa formação, para evitar que as cenas da paixão, morte e ressurreição não se tornem apenas um teatro; que os atos devocionais não caiam num mero devocionismo passageiro. É preciso cuidar para que nada abafe ou reduza a centralidade de Jesus Cristo. A tradição deve ser preservada, mas não pode impedir a renovação necessária.

Hoje se fala muito em ‘re+forma’ da liturgia, mantendo a essência e atualizando a ‘forma’ de celebrar. Fala-se de ‘re+leitura’. O texto é o mesmo, mas a compreensão, o ponto de vista, a aplicação, tudo pode ser aperfeiçoado. Muitos textos litúrgicos, inclusive da celebração eucarística, das leituras bíblicas, dos ritos de batismo, casamento, ordenação etc, passam por uma ‘re+visão’ periódica, para que sejam adaptados aos novos tempos, vistos com novos olhos.

Uma mudança bonita e muito positiva que aconteceu com a reforma litúrgica foi a valorização da Vigília Pascal, centro e ápice de toda a liturgia cristã. Até bem recentemente, parecia que o ponto alto da Semana Santa era a sexta-feira da paixão. Parava-se na morte. Pouco valor se dava à Vigília e ao Domingo da Ressurreição. Hoje percebemos com alegria uma participação muito mais numerosa e consciente, festiva e dinâmica. É a beleza da tradição que se enriquece com as mudanças suscitadas pelo Espírito e exigidas pelos novos tempos.

Como pastores e agentes, temos a missão de organizar e animar a Semana Santa. Procuramos ensinar e evangelizar com nossas homilias e sermões. É um tempo forte da Palavra. Enquanto isso, o povo nos ensina com a vida sua fé encarnada. Revela um Deus de fato próximo, amigo, solidário. Feliz o povo que abre os ouvidos e o coração para acolher tão sublime mistério, e consegue fazer a experiência da sua presença amorosa de Deus em sua vida. Felizes os pastores que não se contentam em falar de Deus, mas procuram, sobretudo neste tempo, falar com Deus, sem deixar de se colocar também como discípulos do povo fiel, grande mestre da fé encarnada e vivenciada.

Pe. José Antonio de Oliveira

Testemunhas bíblicas são tema de retiro para os bispos




As meditações do arcebispo de Chieti, em Vasto, na Itália, dom Bruno Forte, durante o retiro espiritual dos bispos, que faz parte da programação da 52ª Assembleia Geral da CNBB, abordaram a fé de Abraão, Maria, Pedro e Paulo. O retiro teve início no dia 3, à tarde e terminou neste domingo, ao meio dia. Na noite de sábado, os bispos participaram do lucernário, celebração na qual cada um acende uma vela, canta e medita a Palavra de Deus.

Testemunhas

Ao falar sobre a fé de Abraão, dom Bruno disse que não se trata de um “produto do coração”, mas de um dom. “Abraão aposta na impossível possibilidade de Deus, isto é, no fato que o mesmo Deus que deu e que tirou é o Deus no qual é preciso confiar”, disse dom Bruno, ao citar o exemplo de Abraão que se dispôs a sacrificar o próprio filho. “Deus sempre tem uma possibilidade impossível! Abraão confia em Deus, também no tempo do silêncio de Deus. Esta é a grandeza de Abraão: confiar em Deus não só quando tudo vai bem, quando Ele faz a tua vontade, mas também e sem reservas quando Ele te tira tudo, quando chega a pedir-te que o Isaac do teu coração seja sacrificado”, acrescentou.

Sobre a fé de Maria, dom Bruno disse que “ela é capaz de um amor atento, concreto, alegre e terno”. “Maria se aproxima sob o signo da ternura, isto é, do amor que gera alegria, que não cria distâncias, que antes aproxima os distantes, fazendo com que se sintam acolhidos e os enche com o espanto e a beleza de descobrir-se objeto de puro dom”, destaca. Segundo o bispo, na vida de Maria, o relacionamento com o Filho é determinante. “Mãe atenta e terna, vive as expectativas, os silêncios, as alegrias e as provas que toda mãe é chamada a atravessar: é significativo que nem sempre compreenda tudo sobre ele. Mas vai adiante, confiando em Deus, amando e protegendo a seu modo aquele Filho, tão pequeno e tão grande, numa mistura de proximidade e de dolorosas separações, que a tornam modelo de maternidade: os filhos são gerados na dor e no amor por toda a vida”, explica dom Bruno.

Quanto a Pedro, segundo dom Bruno, “foi alguém que aprendeu a não ser nada”, porque aprende o “caminho da humildade’ que é o “caminho da fé vivida, porque ama Deus os humildes e aceita morar em seu coração que tem sede dele”.

Já Paulo é descrito por dom Bruno Forte como “um homem ‘tocado’ por Deus de maneira tão profunda que viveu o restante de seus dias movido pelo único desejo de comunicar aos outros a experiência de amor gratuito e libertador feita no encontro com o Senhor Jesus no caminho de Damasco”.

Fonte: CNBB

Entrevista do teólogo Frei Beto, após encontro com o Papa Francisco:

P- Qual é a situação da Teologia da Libertação hoje?
R- A Teologia da Libertação sempre foi muito viva. Hoje ela não trata de assuntos revolucionários, porém encara os temas do desenvolvimento, das causas da miséria, da ecologia, da proteção do meio ambiente, das novas tecnologias, dos avanços da cosmologia, das nanotecnologias e da bioética, ou seja dos variados assuntos novos que se adicionaram à Teologia da Libertação.
P- Estes são assuntos próximos a Francisco.
R- Sim, são temas próximos a ele porque o seu primeiro texto, a exortação apostólica “Evangelii Gaudium”, é quase um texto subversivo. Até o “Economist” protestou, dizendo que o Papa entendeu errado, e a estadunidense CBS fez o mesmo, evidenciando que o Papa deve conhecer melhor a realidade do mercado. Mas todos sabemos que o mercado está contra os direitos humanos, porque defende a apropriação privada do capital e da riqueza.
P- Na sua opinião, a Igreja está pronta a seguir o radicalismo evangélico do Papa Francisco?
R- Não, ainda não. Temos uma cabeça nova mas um corpo velho que não mexe muito, está um pouco paralisado. Precisa de tempo para adequar a cabeça ao corpo e o corpo à cabeça.

domingo, 4 de maio de 2014

Bispos celebram missa em ação de graças pela canonização do Padre Anchieta

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A missa concelebrada neste domingo, 4 de maio, pelos participantes da 52ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, no Santuário Nacional de Aparecida, teve como principal intenção a ação de graças pela canonização do jesuíta José de Anchieta. A celebração foi presidida pelo arcebispo de Aparecida (SP) e presidente da CNBB, cardeal Raymundo Damasceno Assis.

Junto ao altar central, havia uma relíquia do santo, levada pelo arcebispo de Vitória (ES), dom Luís Mancilha Vilela. “A Igreja no Brasil bendiz e dá graças ao Pai, fonte de toda a santidade, pela canonização do padre José de Anchieta, Apóstolo do Brasil”, disse o secretário geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, logo no início da celebração.

Dom Raymundo destacou em sua homilia que Anchieta era espanhol, mas que se tornou “um missionário de coração brasileiro, que aqui entregou a sua vida no serviço do Evangelho”. Para ele, a vida e a missão do santo atualizam a mensagem da Palavra de Deus. “Primeiramente, por seu dinamismo missionário. Deixou a sua terra aos 19 anos e veio para cá trazer a Boa Nova. E eis o desafio para nós hoje, que ouvimos o convite do papa Francisco para assumirmos esta atitude de saída missionária”, disse. O cardeal também fez questão de sublinhar a criatividade missionária de São José de Anchieta, exemplo para os evangelizadores de hoje. “Ele recorreu ao teatro e à poesia, o que nos interpela sobre os métodos que usamos hoje, e fala da urgência da evangelização inculturada”, acrescentou.


A partir do evangelho deste terceiro domingo da Páscoa, o presidente da CNBB refletiu sobre a passagem dos discípulos de Emaús, narrada por São Lucas, ressaltando o convite a um renovado encontro com Jesus Cristo Ressuscitado. “A pedagogia de Jesus se revela em plenitude. Ele se coloca próximo, ao mesmo nível dos discípulos, e vai explicando as escrituras. Vai colocando remédios nas feridas, o remédio da Palavra, que ele explica e atualiza. Ao final do caminho, compartilhando sem ser conhecido totalmente, é convidado a permanecer na casa dos amigos de viagem. E lá, na intimidade da família, celebram a fração do pão. Ele se dá a conhecer plenamente. Aí, o ardor provocado pela sua presença se torna ardor missionário, tanto que eles voltam entusiasmados para Jerusalém”, afirmou.

Após a missa, os bispos seguiram para o Centro de Eventos Padre Vítor Coelho de Almeida, onde participam do retiro que tem como pregador o bispo de Chieti, em Vasto, na Itália, dom Bruno Forte.

Fonte: CNBB

Os temas da 52ª Assembleia da CNBB


Pe. Geraldo Martins

Três temas importantes marcam a 52ª Assembleia da CNBB, que começou na quarta-feira, 30 de abril, e prossegue até o dia 9 de maio, em Aparecida-SP. Dois deles já foram debatidos na Assembleia do ano passado: Paróquia: comunidade de comunidades e Igreja e questão agrária no inicio do século XXI. Ambos também são de conhecimento público uma vez que foram publicados na coleção Estudos CNBB, mais conhecida como Coleção Verde, ou seja, textos que ainda não se tornaram documentos oficiais da CNBB, que são sempre publicados na cor azul (Coleção Azul).

O terceiro tema – Cristãos leigos e leigas na Igreja e na Sociedade - é novo e se insere no contexto das comemorações dos 50 anos do Concílio Vaticano II. Tudo indica que deverá seguir o mesmo caminho dos dois anteriores, sendo publicado na Coleção Verde para ser estudado e debatido nas comunidades, recebendo contribuições para uma nova redação e posterior aprovação dos bispos como documento da CNBB.

Com grande repercussão em nossas comunidades, o texto que discute a renovação das paróquias (Estudos CNBB 104) voltou bastante modificado. Segundo a Comissão de redação, as inúmeras contribuições enviadas pelos mais diversos segmentos eclesiais levaram à elaboração de um texto praticamente novo. Vejo com alegria e esperança a expectativa que o envolve. Sinto que nossas comunidades estão muito conectadas a esta Assembleia da CNBB, aguardando, ansiosas, o resultado final do documento que deverá nortear sua ação evangelizadora diante do gigantesco desafio de renovar as paróquias.

Caminho semelhante fez o texto sobre a questão agrária no país. Tema mais complexo e mais exigente, a questão da terra no Brasil já foi estudada pelos bispos há mais de 30 anos. O documento Igreja e problemas da terra, aprovado pela CNBB em sua XVIII Assembleia, em 1980, teve enorme repercussão no país. O contexto hoje é muito diferente e o novo documento, que deverá ser aprovado pelos bispos na semana que vem, teve a preocupação de ser, ao mesmo tempo, pastoral e profético. Será um excelente instrumento de referência para nossas comunidades, especialmente, as que convivem diariamente com a conflitante realidade da questão agrária, hoje, tão fortemente marcada pelo agronegócio.

O tema sobre os cristãos leigos e leigas também desperta muito interesse de nossas comunidades e está diretamente ligado aos dois anteriores. Dificilmente as paróquias se renovarão sem a participação efetiva dos leigos e leigas – a imensa maioria do povo de Deus a serviço de quem está uma minoria: os ministros ordenados, como nos recorda o papa Francisco (cf. EG 102). Da mesma forma, só assumindo de forma efetiva a dimensão político-social de sua fé, os cristãos leigos e leigas contribuirão para a superação dos conflitos sociais em nosso país, como a questão da terra, manchada pelo sangue de tantos que tombaram em defesa dos direitos dos mais pobres.

Há ainda outro texto que deverá ser aprovado pelos bispos. Denominado Projeto Brasil: desafios dos cristãos em face das eleições de 2014, o documento visa ajudar as comunidades a se preparem bem para as próximas eleições no Brasil. Mais denso que uma nota ou uma mensagem, o texto dá as grandes linhas que deverão orientar os debates para as próximas eleições. Insiste, ao mesmo tempo, na importância dos cristãos não se omitirem no dever cidadão de votar com consciência.

Estes quatro assuntos têm duas inspirações comuns: o Concílio Vaticano II e o papa Francisco, especialmente através de sua exortação apostólica Evangelii Gaudium. Os novos documentos que se avizinham, ao que tudo indica, reafirmarão o caminho que sempre caracterizou os pronunciamentos da CNBB ao longo da história: marcadamente pastorais, fortemente proféticos, estreitamente em comunhão com a Igreja universal, inspiradamente evangélicos, esperançosamente comprometidos com a construção do Reino de Deus.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Pluralidade de assuntos da Igreja do Brasil marcam terceiro dia da 52ª Assembléia Geral.

Em entrevista coletiva na tarde desta sexta-feira (02) os bispos puderam expor sobre uma pluralidade de assuntos da Igreja do Brasil que o terceiro dia da 52ª Assembleia Geral da CNBB (AG) trouxe na pauta.

Dom Erwin Kräutler iniciou a entrevista abordando as preocupações com índios no Brasil.

“Na constituição 1988 ficou decido que as terras indígenas seriam demarcadas e hoje nem a metade dessas terras ainda são declaradas desse povos. Isso é um grande problema. Não vamos culpa os agricultores por que eles também foram assentados. Mas com isso o conflito está armado. O governo não está fazendo muita coisa e sangue está derramando.”

O bispo falou do desejo em fazer valer a constituição federal sem prejudicar nem agricultores.

“Queremos que faça valer a constituição de 88. Que as áreas indígenas sejam demarcadas, mas os agricultores também não podem sair no prejuízo. Que os agricultores sejam indenizados, não podemos também deixar ano de trabalho suado correr por água abaixo”, defendeu.

"Queremos que faça valer a constituição de 88", dom Erwin

Para o presidente do CIMI (Conselho Indigenista Missionário) o valor do índio no Brasil é visto somente por um âmbito que não soma riquezas.

“Se o índio é visto pela questão econômica. Pelo crescimento do PIB, pelos índices de crescimento econômico ela não terá espaço no Brasil. Mas se é visto pela questão social e de direito como está na lei do direito a saúde, a educação para todos, etc. então ele terá lugar, será considerado uma riqueza, porque contribui com sua sabedoria milenar”, enfatizou.

Durante a apresentação dos assuntos abordados hoje pelos bispo também foi destacado o cronograma para a preparação da comemoração dos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida nas águas do rio Paraíba.

Dom Darci José Nicioli, bispo auxiliar da Arquidiocese de Aparecida (SP) falou sobre o assunto e apontou os principais acontecimento até 2017.

“Queremos envolver todas as igrejas, dioceses do Brasil nessa celebração, para isso estamos propondo uma visita de Nossa Senhora a todas as capitais durante esse triênio, vamos dizer assim, até o grande jubileu. Pedimos aos bispos que agendem essa visita de Nossa Senhora”, contou.

Além da visita de Nossa Senhora às capitais dom Darci falou da parceria com o Santuário de Nossa Senhora de Fátima que também irá comemorar em 2017 um grande Jubilei, os 100 anos das Aparições de Nossa Senhora em Fátima.

Nesse mês de maio, a Imagem de Nossa Senhora de Fátima chegará ao Santuário Nacional de Aparecida, e em maio de 2015 a imagem de Nossa Senhora Aparecida será também entronizada no Santuário de Fátima.

Para abrir o ano jubilar está programada para 12 de outubro de 2016 a inauguração do campanário do Santuário Nacional com um monumento assinado por Oscar Niemeyer.

O dia de trabalho na 52ª AG também abriu espaço para as questões da família.

Dom João Carlos Petrini, bispo de Camaçari (BA) e presidente da Comissão Episcopal para a Família, falou sobre a preparação para o Sínodo dos Bispos sobre a Família.

“É importante perceber que o Sínodo como um caminho que comçou em meados do ano passado e segue até outubro de 2015 quando acontece o Sínodo Ordinário. Dessa Maneira teremos dois longos anos dedicados à família”.

Para Dom Petrini existe muitos desafios para as famílias nos tempos atuais, dentre esses desafios ele acredita que é necessário mais doação de um pelo outro.

“Há inúmeros desafios para as famílias e para a Igreja em tornar essas famílias mais fortes, entre esses desafios está o educar as pessoas que se casam, que estão se preparando para o matrimônio, não pela lógica do mercado e sim pela lógica do dom. Dom de doar-se pela felicidade do outro”, acredita.

Os trabalhos dos bispos reunidos em Aparecida seguem até dia 09 de maio. Amanhã (03) os bispo iniciam o dia com a missa às 7h30 no Santuário Nacional e depois realizam algumas audiências e na parte da tarde iniciam um retiro que segue até domingo

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Festa de São José

9:30h - Missa com a participação dos motoristas

10:00h. Carreata

18:30h. Procissão

19:30h. Missa de Encerramento das festividades

Bispos apresentam amplo panorama sobre a 52ª AG da CNBB

Abrindo os trabalhos do primeiro dia da 52ª Assembleia Geral (52ª AG) da CNBB nesta quarta-feira (30), os bispos que compuseram a mesa da primeira coletiva de imprensa apresentaram um amplo panorama sobre os debates e reflexões para o encontro anual do episcopado brasileiro.

Os três bispos escolhidos para a primeira coletiva dedicaram-se à explanação da pauta geral dos bispos, o Tema Central e o clima de santidade que vive a Igreja com a canonização dos Papas João Paulo II e João XXIII.

Compuseram a mesa, o arcebispo de Manaus (AM) e presidente da Comissão para o Tema Central, dom Sérgio Castriani, o arcebispo de Salvador (BA) e Primaz do Brasil, dom Murilo Krieger e o arcebispo de Mariana (MG), dom Geraldo Lyrio Rocha.



Dom Dimas Lara Barbosa que coordenou a entrevista apresentou os bispos e destacou os primeiros trabalhos da 52ª AG, como o relatório do presidente da CNBB, dom Raymundo Damasceno Assis, sobre os passos da Igreja do Brasil desde a assembleia do ano passado ao momento presente e alguns dados sobre o programa da assembleia.

“Durante o período em que estão reunidos os bispos em assembleia são tratados assuntos pastorais de ordem espiritual e temporal, os problemas emergentes da vida das pessoas, da sociedade sempre na perspectiva da evangelização”, destacou dom Dimas sobre a finalidade da assembleia.

Foto de: Ivan Simas/A12.


Dom Geraldo Lyrio Rocha.

A seguir, tomou a palavra dom Geraldo Lyrio que apresentou o conjunto da pauta da assembleia de forma geral. A respeito do Tema Central, o arcebispo enumerou os diversos temas como, por exemplo, a preparação para a 3ª Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos; a exortação sobre a nova evangelização do Papa Francisco; a avaliação e encaminhamento das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora (DGAE) de 2015 a 2018; as consequências e desafios pastorais da Jornada Mundial da Juventude, os Regionais da CNBB e a questão ambiental na Amazônia, e ainda as temáticas dos organismos (conselhos) vinculados à CNBB.

Ao finalizar sua fala o arcebispo assinalou o grande esforço dos bispos do Brasil ao discutirem temas tão diversos e tão amplos em poucos dias de encontro. “Estamos com uma pauta muito longa e muito diversificada, mas parece muito ligada a nossa realidade, ao nosso contexto da Igreja e da própria realidade nacional”, disse.


Foto de: Ivan Simas/A12.


Dom Sérgio Castriani.

Dom Sérgio Castriani, responsável pela Comissão do Tema Central enfatizou a retomada do tema e o empenho da Igreja na busca da renovação das paróquias em vista da conversão pastoral para consequentemente acontecer a renovação da Igreja.

“A intenção de nós destacarmos este ano também como tema central a paróquia, não era simplesmente de elaborar um texto bonito, mas de deslanchar um processo de reflexão que chegasse até às bases, envolvendo todas as instâncias da Igreja" e, completou: "Posso testemunhar que de fato durante todo este ano a partir da assembleia do ano passado que aprovou o [documento] como um texto de estudos, que todas as pessoas foram envolvidas”, explicitou.

“Acredito que todo esse processo já valeu a pena, o processo foi muito fecundo e marcou profundamente a vida da Igreja no Brasil da última assembleia até hoje”. O documento final será apresentado aos bispos e espera-se que seja aprovado ainda nesta assembleia, acrescentou dom Sérgio.

Foto de: Ivan Simas/A12.


Dom Murilo Krieger.

Por último, dom Murilo Krieger apresentou alguns temas da vida da Igreja no momento atual e outros que encontram eco a partir do passado. O arcebispo considerou aspectos históricos em torno dos processos de beatificação e canonização ao longo das últimas décadas e o “despertar” para as causas de santos brasileiros, e ainda, o valor desse “movimento” que contribuiu para a evangelização. “Começamos a colher os frutos e descobrir que os santos evangelizam e, muito. Eles são um testemunho vivo daquilo que é o Evangelho”, assinalou.

Nesse sentido, lembrou a recente canonização do Padre José de Anchieta, a organização que surgiu na Igreja do Brasil a partir das luzes do Concílio Vaticano II, e também os efeitos dos pontificados dos mais novos santos, São João Paulo II e São João XXIII e encerrou dizendo do valor da fraternidade conjugada nos dias de assembleia, que favorece o encontro, a partilha e a unidade da Igreja diante de sua diversidade

Mensagem da CNBB por ocasião do Dia do Trabalhador e da Trabalhadora

Dia TrabalhadorA CNBB divulgou a sua mensagem pelo Dia do Trabalhador. No texto, o episcopado brasileiro reconhece os avanços conquistados pela classe trabalhadora, mas também pontua os desafios que ainda persistem neste campo.

A mensagem é assinada pelo arcebispo de Aparecida (SP) e presidente da CNBB, cardeal Raymundo Damasceno Assis; pelo arcebispo de São Luís (MA) e vice-presidente, dom José Belisário Silva; e pelo bispo auxiliar de Brasília (DF) e secretário geral, dom Leonardo Steiner.

Confira abaixo a mensagem na íntegra:

Nota da CNBB por ocasião do Dia do Trabalhador e da Trabalhadora

Reunidos na 52ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, de 30 de abril a 9 de maio de 2014, em Aparecida-SP, nós, os bispos do Brasil, dirigimos esta mensagem de esperança aos trabalhadores e trabalhadoras brasileiros na comemoração de seu dia neste 1º de Maio. Ao saudá-los, pedimos que estejam com vocês a graça e a paz de Cristo Ressuscitado, o Filho do Carpinteiro, a quem confiamos a vida, a luta, os sonhos e as utopias de todos vocês.

O Dia do Trabalhador e da Trabalhadora é ocasião propícia para recordar que o trabalho “constitui uma dimensão fundamental da existência humana sobre a terra” (Laborem Exercens, 4). Vocês, trabalhadores e trabalhadoras, “conhecem a dignidade e a nobreza do próprio trabalho, vocês que trabalham para viver melhor, para ganhar para suas famílias o pão de cada dia, vocês que se sentem feridos na sua afeição de pais e de mães ao verem filhos mal alimentados, vocês que ficam tão contentes e orgulhosos quando lhes podem oferecer uma mesa farta, quando podem vesti-los bem, dar-lhes um lar decente e aconchegante, dar-lhes escola e educação em vista de um futuro melhor. O trabalho é um serviço a suas famílias, e a toda a cidade, um serviço no qual o próprio homem cresce na medida em que se dá aos outros” (São João Paulo II aos trabalhadores em São Paulo, 3 de julho de 1980).

Assegurar trabalho decente a todos, com condições dignas para exercê-lo e com justa remuneração, é responder a esta vocação que faz do homem e da mulher colaboradores de Deus na obra da criação. Assim, constitui sinal de esperança constatar a queda do desemprego em nosso país, bem como o aumento dos salários e a ascensão social de milhares de trabalhadores.

Reconhecemos, no entanto, a permanência de situações que depõem contra a dignidade dos trabalhadores. O salário mínimo ainda é muito baixo e se mantém distante do valor digno preconizado pela nossa Constituição. A disparidade salarial entre os que exercem a mesma função também é uma triste realidade em nosso país quando se observa o fator gênero e raça.

Persistem igualmente situações de trabalho precário e de desemprego disfarçado, em que pessoas entram nas estatísticas como ocupadas, quando, na verdade, estão inseridas no mercado informal à procura de novas e melhores ocupações. Esta realidade tem atingido a maioria dos nossos jovens. Acrescente-se também o trabalho escravo que vitima milhares de pessoas em todas as regiões do país, bem como as más condições laborais a que são submetidos muitos trabalhadores imigrantes, conforme denúncia da Campanha da Fraternidade 2014.

O Brasil tem uma das taxas de rotatividade no trabalho mais altas do mundo. Preocupa-nos o crescimento vertiginoso dos acidentes de trabalho e das doenças ocupacionais. Confirmam isso as recentes mortes de operários nas obras da Copa. A essas se somam as inúmeras mortes de trabalhadores que ficam no anonimato pelo país.

"A todos os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil, nossa especial e carinhosa bênção. O operário São José alcance de seu Filho, Jesus Cristo, proteção e graça para todos".

Outra realidade inquietante é a expansão da terceirização do trabalho no Brasil. Estudos do DIEESE (2011) revelam que o trabalhador terceirizado fica 2,6 anos a menos no emprego, tem uma jornada semanal de trabalho de três horas a mais e ganha 27% menos. A cada dez acidentes de trabalho, oito ocorrem entre terceirizados. A aprovação do Projeto de Lei 4.330, que regulamenta a prática da terceirização no país, poderá aumentar a precarização no mundo do trabalho.

A redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem diminuição do salário é uma justa reivindicação dos trabalhadores que não pode mais ser protelada. Da mesma forma, a regulamentação da ‘PEC das domésticas’ é uma urgência que colocará fim a esta dívida social da nação brasileira. O mesmo se diga em relação aos aposentados que, após doarem sua vida com seu trabalho, são prejudicados com perdas na aposentadoria que lhes tiram o direito a uma vida tranquila e segura. Rever o fator previdenciário é demonstração de respeito e de reconhecimento aos aposentados.

Lembramos estas situações no Dia do Trabalhador e da Trabalhadora para chamar a atenção da sociedade brasileira para seu compromisso com os trabalhadores e trabalhadoras com quem a CNBB se faz solidária, manifestando apoio às suas lutas e reivindicações. Anime a esperança de nossos trabalhadores e trabalhadoras a palavra de Cristo: “tenham coragem, eu venci o mundo” (Jo 16,33).

A todos os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil, nossa especial e carinhosa bênção. O operário São José alcance de seu Filho, Jesus Cristo, proteção e graça para todos.

Aparecida-SP, 1º de maio de 2014


Cardeal Raymundo Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida
Presidente da CNBB

Dom José Belisário da Silva, OFM
Arcebispo de São Luís do Maranhão
Vice Presidente da CNBB


Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB